O que aprender com a série Gambito de Dama

Ou Gambito da Rainha, no Brasil. Não conhecer as próprias habilidades, fragilidades e como posicionar o seu negócio, são alguns dos principais desafios ao empreender. Neste artigo, lerá o que percebi de interessante em uma das séries de maior destaque do Netflix que pode apoiar na sua autoanálise e visão do seu negócio.



Nestes últimos dias, finalizei a série Gambito de Dama (ou Gambito da Rainha, no Brasil), uma das ótimas indicações do meu grupo de amigas maratonistas do Netflix.


Gosto de ver séries que me façam pensar – também gosto das que me fazem chorar e relaxar – e esta foi mais uma dessas que concluí com vontade de escrever. E aqui vai este artigo para partilhar o que percebi de interessante para o mundo da gestão ou o papel de uma empreendedora.


O que nós, empreendedoras ou mesmo aspirantes a empreender ou gestoras executivas em alguma empresa podemos aprender com a Beth? E aqui não falaremos sobre o jogo de Xadrez porque não sei nada sobre isso. Analisaremos pontos que considero relevantes para a nossa performance empresarial.


Separei em dois pilares de análise, nos quais considerei os pontos fortes e os frágeis da personagem que todas nós podemos ter. Há diversos métodos que podem apoiar pessoas a conhecerem-se, um dos que aplico nas minhas mentorias é a SWOT pessoal. Este é um importante processo de autoconhecimento que direciona o autodesenvolvimento mais focado nas habilidades percebidas como potenciais para a carreira e aquelas que precisam ou podem ser desenvolvidas, tidas como pontos mais frágeis.


Vamos aos pontos:


Pontos de força da Beth:


  • Análise constante das fragilidades

Após cada partida de xadrez, Beth testava as suas e as jogadas dos seus concorrentes, o que lhe proporcionava o aumento da percepção e conhecimento das suas próprias forças, o que a diferenciava a cada jogada.


Em um negócio, isto chama-se análise dos pontos de melhoria. Na Gestão da Qualidade, por exemplo, fala-se em melhoria contínua, ou seja, a constância da análise do desempenho de um negócio de forma a melhorá-lo constantemente e mantê-lo competitivo no mercado.

  • Aprender a falar a língua do adversário (substituo pela língua do cliente)

Me chamou a atenção na 1ª vez que a Beth jogou com um russo e decidiu investir em aulas da língua. Lembrei do Nelson Mandela que, durante seu período exilado, decidiu aprender a língua do inimigo, o african, saber como se comunicar entre eles.


A analogia que faço neste ponto é a importância de falarmos a língua dos nossos clientes, entender o que eles nos pedem, o que precisam e realizar uma entrega formatada ao seu desejo ou necessidade.


Este ponto também serve de atenção para as negociações, ou seja, quanto mais você entender o que um parceiro potencial, um fornecedor, um novo sócio diz, mais chance ter uma negociação benéfica.

  • Não perder tempo com coisas ou pessoas que não valem a pena

Beth tentou interagir com outras jovens, já na altura da faculdade, mas sem sucesso. As outras jovens estavam conectadas com outras coisas que não atraiam a sua atenção.

Qual a lição? Para quê perder tempo com o que não interessa, com pessoas ou coisas que não acrescentam em nada? Quanto tempo leva, do seu dia, a responder mensagens irrelevantes nas suas redes sociais? Quanto tempo gasta a dispersar e quando chega o final do dia, sente que não produziu o quanto gostaria?


Foco no que interessa, no que vai agregar valor à sua carreira, à sua vida, ao seu negócio. Colocar energia no que realmente pode trazer benefícios, o alcance dos seus objetivos e metas.

  • Investir em conhecimento constantemente

Beth era muito focada em ser cada vez melhor nos jogos. Sempre a praticar e a estudar. Isso é ter foco, saber onde quer chegar. E não à toa, ela chegou no topo da sua montanha, como costumo dizer.


Investir em conhecimento é selecionar as fontes de estudo que mais te acrescentam valor. É aprender com pessoas experientes, que podem te apoiar de forma mais assertiva.


É estar aberta aos novos conhecimentos, ainda mais num momento como o que vivenciamos que está numa veloz e constante transformação. Não investir ou não estar atenta às tendências do seu mercado te torna ultrapassada. Tenha certeza de que seu cliente vai comprar com alguém que esteja melhor preparada(o) para atendê-la(o).

  • Visão de futuro

Apesar da série trazer de forma mais lúdica, Beth visualiza, antecipadamente, no teto do quarto, as jogadas. O que notei com este ponto? A preparação antecipada para seguir adiante e mais direcionada.


Ou seja, estimular a capacidade analítica pode apoiar na assertividade dos próximos passos. Saber para onde o mercado está a olhar, as novas experiências de consumo, norteiam as estratégias do negócio, as próximas decisões.


Ter uma visão empreendedora é desenvolver continuamente as habilidades estratégicas para novas tomadas de decisões.

  • Ter um mentor

Beth teve um mentor ainda na infância, o zelador do orfanato, que logo percebeu que ela era uma prodígio. Ainda assim, Beth bebeu da fonte de conhecimento e desenvolveu constantemente a sua veia técnica e analítica no xadrez.


Por vezes, mesmo quando já temos experiência como empreendedora, optar em ter uma mentora ou um mentor potencializa nossos projetos, para além de ganhar novas visões estratégicas que podem passar despercebidas quando estamos imersas nas nossas empresas.


Pode conhecer aqui as mentorias da Camila Leite Business & People.


Ao longo do tempo, Beth teve poucas relações e mais do que isso: tornaram-se amigos fiéis e ótimos mentores que a apoiavam na sua jornada.


  • Paixão pelo que faz

Beth tinha uma enorme paixão pelo xadrez, o que a fazia pensar nisso, treinar e dedicar-se cadenciadamente.


Ao decidir ter um negócio, opte por algo que realmente gosta de fazer. O contrário disso, corre o sério risco de não dar certo e desistir ao longo do caminho.


  • Autoconfiança

Por ser mulher no meio de um negócio tido como masculino, em plena década de 60, Beth desenvolveu uma qualidade importantíssima: a Autoconfiança.


Há uma cena sensacional quando joga com um menino, sai vitoriosa e no final, ela incentiva-o a traçar uma meta. O mesmo responde que quer ser campeão mundial. Beth retorna com um: “Até quando quer se tornar um campeão mundial?” Isso é ter metas mensuráveis e sair do empirismo ao empreender.


E, para fechar, o que foi um grande ponto frágil da Beth (não entrarei nos outros pontos que percebi para não se tornar um texto com teor psicológico):

  • O vício

Desde criança, já era viciada nos calmantes e, quando jovem, viciou-se no álcool.

Cuidado com os hábitos que podem colocar a perder todos os seus projetos. Beth chegou a perder todo seu dinheiro por conta do vício, mas depois percebeu que isto a tirava do seu maior objetivo: ser a melhor no xadrez.


A partir daí, decidiu parar de beber e colocou seu comboio (trem) nos trilhos.


Sim, podemos perder o rumo durante a nossa vida. Cabe a nós termos esta consciência e decidir onde queremos estar e tomar decisões que nos apoiem em chegar onde desejamos.


Esta foi a minha análise a esta série que entrou para a minha lista das melhores no Netflix. Espero que possa te dar insights para o seu negócio ou mesmo para sua auto-análise, como empreendedora, investir nas suas melhorias constantemente e, assim, oferecer os melhores serviços ou produtos que criam e transformam positivamente a vida das pessoas.


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